Quinta, 10 de novembro de 2016
Pois é, quem nunca passou por isso em uma construção ou reforma ?
Estas situações causam tal nível de stress que reformas em casa são consideradas provas para a estabilidade de casamentos. Passar por uma reforma sem se separar é só para uniões realmente sólidas!
O pior é que elas ocorrem com tal frequência que são consideradas normais, como se obra fosse “assim mesmo”.
Mas qual a causa deste problema ?
Na raiz do problema, quase sempre está a falta de planejamento.
A maioria das pessoas ainda não dá a devida importância ao planejamento, mesmo em decisões extremamente importantes como uma obra, que tomará grande parte do seu tempo e dinheiro.
Planejamento pode ser uma tarefa monótona, pois implica em fazer listas, planilhas, cronogramas etc. Mas acredite, vale cada minuto empregado.
É comum até se fazer o que poderíamos chamar de pseudo planejamento: Faz-se uma lista das ações necessárias (normalmente incompleta), desenvolve-se um orçamento (estimativo, para não dizer chutado) e parte-se para o que interessa – a obra propriamente dita.
Claro que isto não dá certo: A obra mostra-se muito mais complexa que o previsto, os valores estimados são insuficientes e lá vem o usual sofrimento.
Outra forma de mau planejamento é a interferência daquele famoso arquiteto francês: O Jaquê. Jaquê vou trocar a pia, porque não trocar o piso, e Jaquê vou trocar o piso, melhor trocar também o forro e por aí vai.
Mas como fazer para evitar isso?
Vamos às listas:
Primeiro, lembre-se de que não há vento favorável para um velejador que não sabe para onde ir.
Então é preciso definir seus objetivos.
Não se preocupe num primeiro momento com a ordem, apenas liste o que se pretende com a obra: Acomodar melhor a família ? Adaptar a casa para receber melhor os amigos ? Criar um quarto para cada filho ?
O objetivo é chegar ao que chamamos de “Programa de Projeto”.
Este programa deve conter os objetivos da obra, e o passo seguinte é atribuir prioridades a estes objetivos.
O que é mais importante: Espaços generosos de convivência? Quartos grandes?
É preciso também ter claro quanto se pretende investir na obra e em que prazo.
Chega a hora de consultar um profissional.
A ideia é fazer uma obra, então devo procurar um construtor, certo? Errado. A obra começa pelo projeto, sempre.
Você deve então buscar no mercado um arquiteto. Procure alguém que atue em obras do tipo e porte desejados. Se o profissional costuma fazer obras muito maiores que a sua, é provável que ele não dê a necessária prioridade a ela. Se a área de atuação dele não é a mesma da sua obra, ele pode não ter o conhecimento requerido para fazê-la.
Numa entrevista inicial, o arquiteto pode ajuda-lo a avaliar se o programa de projeto cabe no terreno e no orçamento, evitando falsas expectativas que levarão o projeto ao fracasso.
Pronto, seu problemas acabaram! Quem dera, eles mal começaram.
Uma obra é composta por diversos elementos, que não podem ser tratados todos por um único profissional.
Assim, é preciso agregar profissionais de outras especialidades, e entender o que cada profissional faz é muito importante.
O arquiteto define em projeto os espaços da obra e a inter-relação entre estes espaços. Por exemplo, é no projeto arquitetônico que se define o número de dormitórios, quais serão suítes, se a cozinha será na frente ou nos fundos etc.
A partir destas definições fundamentais, é necessário projetar as estruturas da obra, função do engenheiro civil usualmente chamado de calculista.
A grande maioria das obras no Brasil possui estruturas de concreto, então normalmente contrata-se um calculista de concreto, mas há projetistas de estruturas metálicas, de madeira e até mistas, empregando dois ou mais destes materiais.
Outra especialidade indispensável ao projeto abrange as instalações elétricas e hidráulicas.
Normalmente os escritórios de projetos de instalações contam com um engenheiro eletricista, responsável pelo projeto das redes de energia elétrica – Iluminação, tomadas, para-raios etc., e um engenheiro civil, que desenvolve o projeto das instalações hidráulicas – Redes de água, esgoto, gás etc.
Temos então as três equipes básicas de projeto: Arquitetura, Estruturas e Instalações.
Mas como identificar tantos profissionais?
É mais fácil pedir indicação ao arquiteto, que usualmente conhece e já trabalha com profissionais destas áreas.
É necessário então coordenar todos estes projetos. Ninguém espera chegar na obra e descobrir que aquela viga de sustentação do pavimento superior está obstruindo a passagem na escada. Ou que a descida de esgoto do sanitário de cima passa na frente da janela da sala de baixo.
Quem pode então verificar os projetos e fazer o que chamamos de compatibilização?
Há empresas especializadas em fazer coordenação e compatibilização de projetos, mas o arquiteto normalmente tem plenas condições de fazê-lo, desde que previamente combinado.
Muito bem, sabemos até aqui como dirigir um projeto, mas quanto isto custará?
De fato, um bom projeto não é barato, mas usualmente ele produz economia suficiente na obra para compensar o investimento. Além disso, ele evita as dores de cabeça, que não têm preço.
Vencidas todas estas etapas, teremos então o que chamamos de Projeto Completo, composto pelo Projetos de Arquitetura mais os Projetos Complementares – Estruturas e Instalações.
Importante lembrar que, além das plantas, cortes, fachadas, detalhes e perspectivas que normalmente compõem estes projetos, é muito importante que haja também memoriais descritivos, que complementam os desenhos, e lista de materiais, que ajudará muito na contratação da construtora e na futura compra dos materiais.
Pronto, finalmente podemos contratar a construtora, mas deixaremos este assunto para o próximo post.